AMOR AO POVO JUDEU
Fui ensinado a amar o povo judeu pela minha mãe. A nossa mãe converteu-se ao Senhor Jesus aos 32 anos de idade no leito de morte do meu avô, seu pai, que era pastor e amava e ensinava a respeito do propósito de Deus através do povo judeu e para com o povo judeu. A conversão da minha mãe foi impactante, radical. A influência dela sobre nós, seus filhos, passou a ser significativa também na área espiritual. Confessei publicamente a minha fé no Senhor Jesus aos 9 anos de idade, alguns meses depois da conversão da minha mãe, e fui batizado nas águas três anos depois.
Os meus avós, maternos e paternos, chegaram ao Brasil em 1930 e passaram a viver no interior do país em colônias com orientação evangélica e com forte presença e influência da cultura alemã. Quando o regime nazista assumiu o poder na Alemanha, o meu avô, do púlpito, alertou a Igreja e a colônia sobre o que representava o poder nazista e o seu líder. Suas palavras não foram aceitas, pelo contrário, foram muito mal recebidas, a ponto de ser-lhe tirado o acesso ao púlpito e até o direito de comprar e vender para a cooperativa da colônia. A minha mãe e tios passaram pelo sofrimento trazido à família, tendo-lhes restado somente a freqüência à escola da colônia, isto porque o diretor da escola ameaçou encerrar as atividades da mesma se a permanência da minha mãe e seus irmãos nela fosse vedada. Posteriormente o meu avô voltou a pregar na igreja e a fazer parte da cooperativa. Atualmente, pensando a respeito, considero que atitudes tão violentas revelam o quão satânico foi o regime nazista e como influenciou, e ainda influencia, fortemente, as denominações cristãs e as suas igrejas locais (“porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” – Efésios 6:12).
Após a sua conversão a nossa mãe passou a ler a Bíblia comigo e meus irmãos. Lembro-me que de dia, a plenos pulmões, ela cantava hinos evangélicos e à noite, nós já nas camas, ela lia para nós, destacadamente, livros do Antigo Testamento, mais precisamente I Samuel, II Samuel, I Reis e II Reis. A cada novo rei que surgia na leitura, eu torcia para ouvir “Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor” e como Deus o recompensaria por isso. Assim, entendo, cresceu no meu coração o desejo de agradar a Deus e nasceu o amor por Israel, pelo povo judeu, povo que deu-nos o Salvador.
A Bíblia que a nossa mãe lia tinha diversas figuras a respeito das histórias e personagens. Lembro-me que quando fui à Israel pela primeira vez e vi a paisagem lindíssima do Mar Morto, toda a imaginação que eu tinha de Israel foi transformada para colorida, pois as figuras da Bíblia da minha mãe eram em preto e branco. Conhecer Israel foi para mim a realização de um sonho que Deus colocara no meu coração de menino.
Amo o povo judeu e oro diariamente pela sua salvação, pela sua conversão ao seu e nosso Messias (“o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” – 1 Timóteo 2:4,5).
Amo o povo judeu. Amo Israel. Estou planejando a próxima viagem a Israel para o segundo semestre de 2009, quando pretendo levar os alunos que até lá concluirão a escola bíblica da qual sou diretor na nossa igreja local. Creio firmemente que faz parte do propósito de Deus para o cristão: orar pela conversão de Israel a Jesus de Nazaré e abençoar o povo judeu visitando a nação que milagrosamente nasceu em 1948.
Pr. Francisco Gortz é pastor auxiliar na Igreja Família Cristã em Curitiba.