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O Shofar - Articulistas

   

Sete Pilares do Judaísmo Messiânico

Todos esses anos eu tenho desafiado os excessos que há dentro do movimento dos Judeus Messiânicos. Tornamos a nossa cultura muito mais importante do que o próprio evangelho e deixamos que nossa identidade étnica se transformasse em um ídolo.

Ao mesmo tempo, há muitos outros que nunca chegaram a ter um entendimento claro dos aspectos da fé “judaica”. Se você se pergunta “Por que Judaísmo Messiânico?”, então, este artigo é para você.

1 – Contexto Cultural do Evangelho

“Procedi, para com os judeus, como judeu” – I Coríntios 9.20

Nos anos 70, quando o povo judeu começou a abrir seu coração para o evangelho (dentro do tempo predito na Nova Aliança – Lucas 21.24, Romanos 11.25), percebeu-se que havia a necessidade de apresentar a mensagem da salvação de forma que fosse culturalmente relevante. Se era tão importante compartilhar o evangelho levando-se em conta a cultura local, maior cuidado deveria se ter com os judeus.

No caso do povo judeu acontece que, o que é culturalmente relevante, também é contexto histórico atual dos escritos da Nova Aliança. Isto teve o benefício adicional de ajudar os cristãos a entenderem os ensinamentos de Yeshua em seu contexto original.

2 – A Verdade Consistente da Torá

“Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas” – Mateus 5.17

Através do sacrifício de Yeshua fomos libertos do castigo que merecíamos por termos quebrado a Lei. Neste sentido, já não estamos mais “debaixo da Lei”. Todavia, isto não quer dizer que os valores absolutos morais da Lei não se aplicam mais a nós.

A Nova Aliança não “invalida” a Lei mas, pelo contrário, escreve-a em nosso coração (Jeremias 31.31). Para que qualquer sistema sobre a verdade seja válido, ele tem que ser consistente em si mesmo. Contradições testificam contra a verdade. Se a Nova Aliança fosse para contradizer previamente as Escrituras contidas na Lei, ou nos profetas, então, ela não seria verdade.

No Sermão da Montanha, Yeshua nos instrui quanto ao verdadeiro “significado” da Lei. Neste sentido, Ele faz com que a Lei se torne ainda mais exigente. Para aqueles que dizem que não precisam mais cumprir a Lei, eu pergunto: “Qual dos Dez Mandamentos vocês planejam NÃO cumprir?” O Cristianismo, sem um entendimento correto da Torá, perde sua própria coragem moral e integridade.

3 – Destino Contínuo da Nação dos Judeus

“Terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum!” – Romanos 11.1
“Que será o seu restabelecimento?” – Romanos 11.15

A Teologia da Substituição e da Dispensação diz que o papel dos judeus como o povo escolhido só tem um significado no passado, não no presente, nem no futuro. Mas Romanos 11 ensina que eles ainda são o “Seu povo” no tempo presente, a despeito deles mesmo não crerem nisto. E eles passarão por uma restauração que ainda está por vir.

Todos os cristãos que verdadeiramente nasceram de novo também são “povo escolhido”. Todavia, esta escolha universal não subtrai o chamado do povo judeu, mas sim, acrescenta. A igreja internacional está “enxertada” em Israel (Romanos 11.17).

O chamado da igreja, na verdade, reafirma o chamado de Israel, ao invés de substituí-lo. Durante os anos 80, quando os muitos aspectos apostólicos da igreja primitiva estavam sendo restaurados, o também importante destino de Israel estava sendo redescoberto por muitos.

4 – Crucificação do Rei de Israel

“E, por cima estava, em epígrafe, a sua acusação: O REI DOS JUDEUS.” - Marcos 15.26
“Desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel.” - Marcos 15.32

Yeshua foi crucificado não apenas porque era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, mas porque também era o Rei de Israel que em breve voltará para reinar sobre a terra. Foi a mão soberana de Deus que guiou Pilatos para que inscrevesse “Rei dos Judeus” sobre a cabeça de Yeshua na cruz.

Por parte dos homens, a crucificação foi um ato de rebelião contra a autoridade de Yeshua como Rei, especificamente o Rei dos Judeus. Foi um ato de rejeição da Sua Soberania e da Sua condição de judeu. E da parte de Deus, a cruz era uma declaração da autoridade de Yeshua. Deus estava “cravando Sua declaração” do direito de governar sobre este planeta (Salmos 2). A autoridade geral de Yeshua vem através da Sua posição como Rei dos judeus. Se Yeshua não é o Rei dos judeus, então ele não é rei de ninguém. Assim, negar sua condição de judeu é negar a Sua soberania. A cruz é a exigência de Deus para que aceitemos Yeshua como Rei e como judeu.

Yeshua não é apenas o Filho de Deus, mas também é o Filho de Davi (Romanos 1.3). Quando Ele voltar, ainda será o Filho de Davi (Apocalipse 22.16). Yeshua tem um destino pessoal e este destino é ser o Rei dos judeus. Ele fez muito por nós. O que podemos fazer por Ele? Uma das razões de pregarmos o evangelho é poder ajudá-lO a atualizar Seu próprio destino e, um dia, cumprir o Seu papel de Rei dos judeus.

5 – Contingência da Segunda Vinda

“Já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem...” - Mateus 23.39

Em Sua própria autoridade Deus já preparou a época da Segunda Vinda de Cristo e nada poderá impedir que isto aconteça. Por outro lado, Yeshua deu alguns pré-requisitos para que Seu retorno ocorra. Ao falar para aqueles mesmos líderes religiosos em Jerusalém, que O rejeitaram e a quem Ele os chamou de “víboras” por causa da hipocrisia, Ele afirmou categoricamente que não voltaria, a não ser quando O recebessem como Rei e Messias.

Davi foi ungido rei ainda novo (I Samuel 16). Todavia, não pôde atuar como rei até que os anciãos de Judá e Israel concordassem em deixá-lo agir como tal (II Samuel 5.3). Este pré-requisito dos líderes de Jerusalém está relacionado com a parte que falamos sobre o papel de Yeshua como Rei dos judeus. Ele não poderá voltar como Rei dos judeus até que haja um certo número de judeus que O receba como Rei.

Satanás sabe que seu reinado e influência neste planeta chegarão ao fim quando Yeshua voltar (Apocalipse 20). Por isto, fará o que puder para impedir a possibilidade de um avivamento em Jerusalém (por esta razão podemos dizer que o ódio a Yeshua por parte dos líderes religiosos em Jerusalém era algo de natureza satânica). Se vai haver um avivamento em Israel, então o povo precisa, primeiro, voltar fisicamente para sua Terra. É por isto que tem havido tantos ataques contra o Sionismo – primeiro dos nazistas e agora dos terroristas islâmicos.

6 – O Conflito do Final dos Tempos

“Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém.” - Zacarias 14.2

Todo e qualquer estudo de escatologia da Bíblia logo revelará que todos os conflitos do final dos tempos culminarão em uma grande batalha, na qual as nações do mundo se juntarão para atacar Israel. Será nesta época que Yeshua voltará, intervindo nesta batalha. Ele fincará seus pés no Monte das Oliveiras (Zacarias 14.3) e destruirá as nações que atacarem Jerusalém (12.9).

Deus considera um ataque a Jerusalém como um ataque ao próprio Yeshua. Qualquer um que contender contra Jerusalém na Segunda Vinda, se verá lutando contra Yeshua. Este é um ponto que focaliza tanto a profecia do final dos tempos quanto uma guerra espiritual (estes dois pontos de vista estão mais detalhados na nova edição do meu livro ‘Do Iraque Ao Armagedon’. Leia-o!).

É o próprio Deus quem fará este confronto. Algo semelhante à forma como Deus endureceu o coração de faraó para destruir os exércitos do Egito no Mar Vermelho. Deus vê o final da batalha contra Jerusalém como o confronto final entre o bem e o mal. Nesse conflito Ele vai demonstrar o Seu poder e a Sua justiça, destruindo as forças combinadas do mal de forma assombrosa e gloriosa (é como se Deus estivesse dizendo “Ganhei o dia!” – aquele grande e terrível Dia).

7 – A Capital do Reino Milenar

“Porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalém.” - Isaias 2.3

A declaração de que “Yeshua já cumpriu todas as profecias acerca do Messias” não é verdadeira. As profecias concernentes ao Seu nascimento, morte, ressurreição e ascensão já foram cumpridas. Mas aquelas relacionadas com a Segunda Vinda ainda vão acontecer.

Quando Yeshua retornar, Ele estabelecerá o Seu reino na terra. Haverá paz e prosperidade (Isaias 2.3, Miquéias 4.4); haverá um só governo com Yeshua como Rei e Jerusalém como a capital. As nações virão para Jerusalém celebrar as festas e adorar Yeshua como Rei (Zacarias 14.16).

Naquele tempo todas as expectativas judaicas tradicionais relacionadas ao reino messiânico serão cumpridas. A Bíblia até indica que haverá a reconstrução de um novo Templo (Ezequiel 40). Em outras palavras, o futuro parece bem judeu. Mas, como tudo isto acontecerá debaixo do senhorio de Yeshua, o Messias, o futuro será também bem messiânico.

O povo judeu em volta do mundo terá que se acostumar com a parte relacionada a “Jesus” e os cristãos também terão que se acostumar com a parte relacionada aos “Judeus”. Assim, bem que poderíamos começar imediatamente. E é isto o que significa Judaísmo Messiânico. Em resumo, não se trata do que as tradições judaicas têm para dizer; nem o que a teologia cristã quer falar; mas sim o que a Bíblia tem para declarar.


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