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O Shofar - Articulistas





   

FESTA DOS TABERNÁCULOS – SUCOT


A PRIMEIRA VINDA DO MESSIAS

Por Claudimir Morais

Parte 2

          Ao pôr-do-sol da próxima sexta-feira, 06 de outubro (e até o dia 14/10), inicia-se a festa dos tabernáculos (sucot).

          Esta é uma solene festa dos judeus, que dura sete dias (fora de Israel são oito dias), celebrando a bondade de Deus que os protegeu no deserto e os fez habitar em tendas ou barracas após a saída do Egito. Porém o principal da festa era a lembrança da habitação de Deus entre eles no Tabernáculo de Moisés.

          A festa é chamada também de Festa da Colheita, pois nesta época são colhidos os últimos frutos da terra; é o período no qual a produção dos campos, pomares e vinhas é colhida. Os celeiros, terreiros e prensas de vinho e azeitonas trabalham a todo vapor. Semanas e meses de labuta e suor empregados no solo finalmente são recompensados. O fazendeiro sente-se feliz e entusiasmado. Não admira que Sucot seja a Estação do Júbilo. A comemoração era iniciada ao entardecer do dia 14 até o dia 21 de Tisri (1º mês do calendário judeu).

          Nos tempos bíblicos, durante o primeiro dia da festa, o povo ia cortar ramos das mais belas árvores, com os seus frutos, igualmente ramos de palmeiras, os que estavam mais cheios de folhas, e ramos dos salgueiros, que cresciam nas margens dos ribeiros e levavam-nos e agitavam-nos na direção dos quatro cantos da terra, cantando certos cânticos. Chamavam também HOSANOTH a esses ramos, visto que, quando eram levados e movidos, o povo elevava a voz com as suas hosanas. O último dia da festa era o da grande hosana (Hoshaná Rabá). Neste dia, nos tempos do Novo Testamento, um sacerdote e um grupo de levitas adoradores, iam em procissão buscar água num vaso de ouro na fonte de Siloé, que tinha sua origem em uma rocha perto do templo. Esta água era misturada com igual quantidade de vinho (Êx 29.40), e ofereciam-se libações (Lv 23. 36 e 37), cantando o povo as palavras de Isaías "COM ALEGRIA TIRAREIS ÁGUAS DAS FONTES DA SALVAÇÃO"; e derramava-se a água no sacrifício da tarde com alegres aclamações (João 7.37). João, o evangelista, registra Jesus participando de uma Festa dos Tabernáculos. Quando naquela ocasião, a água foi misturada com vinho e derramada sobre o altar, Jesus exclama: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras: Rios de água da vida vão jorrar do coração de quem crê em mim” (Jo 7.37). Acendiam-se os candelabros de ouro no átrio do templo na primeira noite e provavelmente nas outras também. Além disto os sacerdotes subiam os degraus do Templo cantando os Salmos dos Degraus (Sl 120 a 134).

          Hoje em dia esta festa é comemorada pelos judeus, que constroem uma tenda cobrindo-a com folhas e galhos de árvore e decorando-a com frutas da época. Por sete dias devem pelo menos fazer uma das refeições na tenda armada fora de casa. Um dos preceitos especiais de Sucot é o preceito das Quatro Espécies: Etrog (cidra), Lulav (folha de palmeira), Hadassim (murtas) e Aravot (salgueiros). É um preceito bastante significativo e simboliza a unidade e a harmonia. Quando são recitadas as bênçãos sobre elas, é costume sacudi-las aos quatro ventos e também para cima e para baixo, significando que Deus está em toda parte.

          O que a Festa dos Tabernáculos tem a ver conosco hoje? Em primeiro lugar esta Festa como já dissemos acima, era a lembrança da habitação de Deus entre eles no Tabernáculo de Moisés. Esta festa está intimamente relacionada ao nascimento do Messias. Tradicionalmente, a igreja por influência de Roma, comemora o nascimento do Messias em 25 de Dezembro. Historicamente esta data para o nascimento do Messias é equivocada. Pois no mês de Dezembro na Judéia é inverno. Um dos equívocos é que os pastores a quem os anjos anunciaram o nascimento de Jesus estão ao relento, no campo com suas ovelhas. O inverno na Judéia é extremamente úmido e frio. Nunca pastores de ovelhas estariam com os rebanhos nos campos nesta época do ano. Além do mais, esta data foi escolhida pela Igreja em Roma, para atrair os pagãos, que neste dia comemoravam o nascimento do deus Sol romano.

          A Bíblia não nos fornece a data precisa do nascimento do Messias; entretanto, podemos saber por informações, especialmente no Evangelho de Lucas, que a época do nascimento de Jesus foi durante a Festa dos Tabernáculos. Por isso dizemos que o nascimento de Jesus foi o cumprimento da Festa dos Tabernáculos.

          Em João 1.14, vemos que o Verbo (Cristo) HABITOU entre nós. Esta palavra no grego é "skenoo" que quer dizer “tabernaculou”; isto é, o Emanuel (Isaías 7.14) que significa Deus conosco.

          Vejamos nas Escrituras alguns detalhes que nos ajudarão a situar cronologicamente o nascimento de Jesus:

              - os levitas eram divididos em 24 turnos e cada turno ministrava por 15 dias.
              1 Crônicas 24.1-19 (24 turnos X 15 dias = 360 dias ou um ano).

              - o oitavo turno pertencia a Abias.
              1 Crônicas 24.10

              - o primeiro turno iniciava-se com o primeiro mês do ano judaico - mês de Abibe.
              Êxodo 12.1-2; Deuteronômio 16.1; Êxodo 13.4.

              - Temos a seguinte correspondência:

MÊS NOME TURNOS REF.BÍBLICA
1 ABIBE ou NISSÃN = MARÇO-ABRIL 1 E 2 Ex 13.4; Et 3.7
2 ZIV = ABRIL-MAIO 3 E 4 1 Rs 6.1
3 SIVÃ = MAIO-JUNHO 5 E 6 Et 8.9
4 TAMUZ = JUNHO-JULHO 7 E 8 (ABIAS) Jr 39.2; Zc8.19
5 AV = JULHO-AGOSTO 9 E 10 Nm 33.38
6 ELUL = AGOSTO-SETEMBRO 11 E 12 Ne 6.15
7 TISRI = SETEMBRO-OUTUBRO 13 E 14 1 Rs 8.2
8 CHESVAN = OUTUBRO-NOVEMBRO 15 E 16 1 Rs 6.38
9 KISLÊV = NOVEMBRO-DEZEMBRO 17 E 18 Ed 10.9; Zc 7.1
10 TEVÊT = DEZEMBRO-JANEIRO 19 E 20 Et 2.16
11 SHEVAT = JANEIRO-FEVEREIRO 21 E 22 Zc 1.7
12 ADAR = FEVEREIRO-MARÇO 23 E 24 Et 3.7


          Comecemos por Zacarias, pai de João Batista. Ele era sacerdote e ministrava no templo durante o "turno" de Abias (Lc 1.5, 8, 9). Terminado o seu turno voltou para casa e, conforme a promessa que Deus lhe fez, sua esposa Isabel, que era estéril, concebeu João Batista (Lc 1.23-24). Portanto João Batista foi gerado no fim do mês de Tamuz ou início do mês Av. Agora um dado muito importante: Jesus foi concebido seis meses depois (Lc 1.24-38). Portanto Jesus foi concebido no fim de Tevêt ou início de Shevat.

          Visto estes detalhes nas Escrituras, chegamos à conclusão que João Batista foi gerado em fins de Junho ou início de Julho, quando Zacarias voltou para casa após seu serviço no templo. Jesus Cristo foi concebido seis meses depois, no fim do mês de dezembro ou início de janeiro. Ele não nasceu em dezembro como diz a tradição, mas foi GERADO nesse mês. Nove meses depois, no final do sétimo mês (Tisri), fins de Setembro e começo de Outubro em nosso calendário, quando os judeus comemoravam a Festa dos Tabernáculos, Deus veio habitar com Seu povo. Nasceu Jesus. Deus tabernaculou com o Seu povo. Nasceu o Emanuel!! Deus habitando conosco!!!


Claudimir de Morais, estudioso da Bíblia, pesquisador de história e cultura judaica, graduado em teologia e presbítero da Congregação Rua Acre em Curitiba.


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