YOM KIPUR
Por Claudimir Morais
Parte 2
Dez dias depois de rosh hashaná, em 10 de Tishrei (pôr-do-sol do dia 01 de outubro),
inicia-se o yom kippur (dia do perdão). Esse é considerado o mais temível e solene dia do
calendário judaico. É nesse dia que o sumo-sacerdote entrava no Santo dos Santos, o compartimento mais
secreto do tabernáculo (mishkán). Conforme as instruções que temos em Levítico 16 e Números
29.7-11, nesse dia o sumo-sacerdote entrava no Santo dos Santos para fazer expiação pelos pecados de si
mesmo primeiramente, e depois pelos pecados de toda a nação.
Os sacrifícios deste dia eram um novilho e dois bodes. O novilho deveria ser sacrificado pelos pecados
do sacerdote e sua família. Os dois bodes, um era sacrificado pelos pecados do povo e o outro era
conduzido ao deserto, para que morresse fora do arraial carregando sobre si os pecados do povo. O
sumo-sacerdote entrava no Santo dos Santos, o compartimento mais secreto do tabernáculo (mishkán),
e ali sobre a tampa da arca aspergia o sangue do primeiro bode. Nesse dia então, Deus concedia o perdão
dos pecados. Era um dia de jejum absoluto de vinte e quatro horas, um dia de arrependimento e de confissão
de pecados. Depois da destruição do Segundo Templo (70 d. C.), a sinagoga tornou-se o centro dessa festa.
Ao pôr-do-sol, inicia-se o jejum com uma refeição leve. Depois da refeição, nem mesmo uma gota de água
pode ser levada à boca (exceto enfermos). Todo o dia e também grande parte da noite anterior, é passado
na sinagoga. No dia antes do yom kippur, é feito o rito do kapparah. Desde que a pessoa
que peca merece morrer por seus pecados, e não há ninguém sem pecado, e como cessaram os sacrifícios
ordenados, o povo toma um substituto, que deve morrer em lugar do pecador. Geralmente os homens tomam
um galo e as mulheres uma galinha e, recitando algumas orações, giram a ave ao redor da cabeça do
penitente. A execução desse ato tira os pecados da pessoa e, de acordo com a Torah, a ave deve morrer
em lugar do ser humano. Esse “sacrifício” é ritualmente morto e consumido ou dão ao pobre e necessitado.
É um rito hoje praticado quase que exclusivamente pelos ultra-ortodoxos.
O yom kippur cumpriu-se integralmente no sacrifício de Yeshua, há quase dois mil anos atrás.
Ele era a realidade por trás daqueles sacrifícios feitos no tabernáculo e depois no Templo. Graças a
Deus que nos proveu em Seu Filho o perdão completo dos nossos pecados.
“Ferido estava, porém, por nossas transgressões, e oprimido por nossas iniqüidades; seu penar era para
nosso benefício e, através de suas chagas, fomos curados”. (Is 53.5)
Claudimir de Morais, estudioso da Bíblia, pesquisador de história e cultura judaica, graduado em
teologia e presbítero da Congregação Rua Acre em Curitiba.
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