MENU
 
 
O Shofar - Articulistas






   

OS DIAS TEMÍVEIS

Por Claudimir Morais


Parte 1

          Ao pôr-do-sol do próximo dia 22 de setembro (01 de Tishrei no calendário judaico) tem início as grandes festas do calendário judaico, ou os “dias temíveis”, como são mais conhecidos: Rosh Hashaná, Yom Kippure Sucot.

          A primeira grande festa é Rosh Hashaná, o ano novo judaico. É estranho que em 01 e 02 de Tishrei, o sétimo mês do calendário hebreu, seja comemorado o “ano novo judaico”. A razão disso é que a Torah fez o mês de Nissan o primeiro do ano (em Pessach), para enfatizar a importância da libertação do Egito, que aconteceu no décimo quarto dia daquele mês, e que marcou o nascimento da nação de Israel.
          Conforme a tradição, o mundo foi criado em Tishrei. Mais especificamente, Adão e Eva foram criados nesse dia, pois que foram a última obra da criação de Deus. Então entraremos no ano de 5767 desde a criação de Adão.

          Cada um dos doze meses do ano judaico são representados por uma das doze tribos de Israel. O mês de Tishrei é representado pela tribo de Dan. Nas bênçãos proferidas por Jacó aos seus doze filhos, ao falar de Dan, ele diz que Dan julgará o seu povo (Gn 49.16; ver também 30.6). Dan e Din (Yom HaDin, Dia do Julgamento – outro nome para Rosh Hashaná) são derivados da mesma raiz, simbolizando que Tishrei é a época do julgamento divino e do perdão. Nesse dia, conforme a tradição judaica, Deus se assenta para julgar todos os seres humanos selando seus destinos para o novo ano que se inicia. Os dez dias que se seguem até o Yom Kippur(dia do perdão), são a última oportunidade para arrependimento das obras más – por isso são denominados os “dias temíveis”.

          A festa não possui o mesmo caráter do “ano novo cristão”. É um dia solene e de busca de arrependimento. Inicia-se com o toque do shofar (instrumento antigo, feito com chifre de carneiro), por isso é denominada na Bíblia como “festa das trombetas” – ver Nm 29.1-6; Lv 23.24-25. O shofar, conforme a tradição, representa o carneiro que foi oferecido no lugar de Isaque, no monte Moriah. Então o toque do shofar representa o clamor da alma diante de Deus, suplicando o perdão dos pecados (obviamente essa não era a única ocasião em que o shofar deveria ser tocado).

          Tradicionalmente, a refeição de Rosh Hashaná é composta de alimentos simbólicos que evocam o desejo de bênçãos e prosperidade para o próximo ano: maçã com mel, alho-poró, feijão fradinho, abóbora, acelga e como não poderia faltar, a chalá – o pão trançado do sábado, especialmente adocicado e em forma de círculo.

          Após a prece da noite de Rosh Hashaná, é costume saudar uns aos outros dizendo: Leshaná Tová Ticatêv Vetechatêm (que sejas inscrito e selado para um ano bom).

          Shaná tová a todos os irmãos e amigos!


Claudimir de Morais, estudioso da Bíblia, pesquisador de história e cultura judaica, graduado em teologia e presbítero da Congregação Rua Acre em Curitiba.


AVISO: O artigo publicado com assinaturas no Maoz é de responsabilidade exclusiva de seu autor e não pode ser reproduzidos sem a devida autorização do mesmo.



Parte 2

          Dez dias depois de Rosh Hashaná, 10 de Tishrei (pôr-do-sol do dia 01 de outubro), inicia-se o Yom Kippur(dia do perdão).




















.
.




 

.
Copyright ©2005-2007 DigitalFactory.eti.br