PENTECOSTES (SHAVUOT) - 1° Parte
Por Claudimir Morais
A festa de Pentecostes ou Festa das Semanas (shavuot em hebraico) marca o início da colheita de grãos na Terra de Israel. A preparação para essa festa começava no segundo dia de pessach (páscoa), com a contagem do ômer (sefirat haomer). O ômer, nos dias bíblicos correspondia a uma medida de cevada nova, que nesse período era oferecida todos os dias no Templo em Jerusalém. A Torah ordenou que se contassem sete semanas, o que equivale a quarenta e nove dias (ver Levítico 23.15-17; Êxodo 34.22 e Números 28.26), que culminaria com a oferta das Primícias no 50º dia. A partir desse dia, iniciava-se a colheita dos cereais.
A Contagem representa, na tradição judaica, os 49 degraus de ascensão espiritual realizados, no deserto, pelos judeus. No Egito, eles haviam perdido não apenas sua liberdade, mas também a sua espiritualidade. Ali perderam o senso de seu chamamento e missão. Então esses 49 dias eram uma espécie de purificação e de preparação. Então, exatamente no 50º dia, Deus entregou à Moisés a Torah, no monte Sinai.
A Torah deu aos judeus uma identidade e uma missão. Ela não apenas confirmou as promessas feitas a Abraão, mas deu-lhes um profundo senso de identidade – povo santo. Ademais, concedeu-lhes um senso de missão – servir como sacerdotes diante de Deus. É isso o que vemos em Êxodo 19.5-6: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel”.
A oferta especial para a festa de shavuot eram dois pães de igual peso, feitos com fermento. Esses dois pães deveriam ser movidos pelo sacerdote perante Deus, que eram então aceitos ou recebidos por Ele.
A tradição judaica estabelece que na festa de shavuot seja lido o livro de Rute. Ali é narrada a linda história de uma mulher pobre e gentia nos tempos dos juízes, que achou a graça da redenção, através de um parente remidor. Ela fez a decisão mais importante de sua vida ao romper com seu passado e com seus deuses, abraçando a fé no Deus de Israel. Ela havia dito à sua sogra Noemi, “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). Pela misericordiosa provisão do Deus de Israel, Rute apanhou espigas de trigo nos campos de Boaz, encontrando nesse homem não só o sustento para aquele momento, mas a redenção. Ela tinha uma origem maldita, era moabita (eles é que causaram muitas dificuldades aos judeus durante a peregrinação rumo à Canaã, chegando até a contratar Balaão para amaldiçoar Israel). Conquanto a sua origem, por causa de sua fé no Deus de Israel foi recebida no meio do povo hebreu, casando-se com Boaz. Ela veio a ser bisavó do rei Davi. E por conseqüência, ela é uma das mães do Messias. Aí vemos a graça de Deus para com ela.
Diante desses fatos, convém perguntar agora, o que tudo isso tem a ver com o acontecimento narrado no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos, no dia de Pentecostes? Por que Deus escolheu essa ocasião para derramar o Seu Espírito sobre os discípulos em Jerusalém?
Continua
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Claudimir de Morais, estudioso da Bíblia, pesquisador de história e cultura judaica, graduado em
teologia e presbítero da Congregação Rua Acre em Curitiba.
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