PÁSCOA: a festa da Páscoa e seu cumprimento no Messias “PESSACH”
Por Claudimir Morais
A Páscoa é um quadro, uma sombra do plano divino de redenção do pecado e da morte, por meio do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Êxodo capítulo 12 narra-nos a história da Páscoa, a saída do povo de Israel da escravidão do Egito. A
palavra “páscoa” significa passar ou saltar por cima. Deus “saltou sobre as casas dos filhos de Israel
no Egito, quando feriu aos egípcios, mas as nossas casas livrou”.(Ex 12.27).
Quando Deus livrou a Seu povo da escravidão do Egito, estabeleceu a comemoração anual da Páscoa: “E este
dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por
estatuto perpétuo”.(Ex 12.14). Conforme as instruções do SENHOR, no dia 10 do mês de nissan, deveriam
tomar um cordeiro e examiná-lo, para comprovar que não tinha nenhum defeito. O cordeiro deveria ser
sacrificado ao entardecer do dia 14 de nissan (Ex 12.6).
A Páscoa também é um quadro, uma sombra do plano divino de redenção da escravidão do pecado e da morte,
por meio do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Assim como se fazia com os cordeiros da Páscoa,
Jesus foi examinado por Seu povo no dia 10 de nissan (Lucas 19.28-44; João 12.12-16), e Sua morte, pelos
pecados de Seu povo e os do mundo inteiro, ocorreu no tempo exato em que se efetuava o sacrifício do
cordeiro da Páscoa (Mateus 26.18-20).
Quando comemorou a última Páscoa antes de Sua morte, com seus discípulos, o Cordeiro de Deus tomou o
pão sem fermento (matzah) e o partiu. Disse: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em
memória de mim”. Depois tomou o Cálice da Redenção (o terceiro cálice de vinho no jantar [sêder] da
Páscoa) e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós”. Jesus o
Messias é nossa Páscoa, é o Cordeiro de Deus sem mancha, destinado desde antes da fundação do mundo
para morrer por nossos pecados e ser nosso Redentor.
Ainda que o Faraó quis impedir sua saída, já não pode reter o povo judeu sob sua potestade. Da mesma
maneira, o inimigo de nossas almas não pode reter-nos sob sua servidão, porque o Cordeiro de Deus morreu
por nossos pecados. Todo aquele que crê em Jesus passou da morte para a vida, foi liberto da potestade
das trevas e transportado para o reino do Messias.
Onde está o Cordeiro da Páscoa neste momento? Encontra-se sentado sobre Seu trono celestial, em meio aos
contínuos louvores de milhões e milhões de anjos: “Digno é o Cordeiro, que foi morto...”. O Cordeiro, o
Redentor, logo tomará o rolo e abrirá os selos (Apocalipse 6). O Redentor vingará o sangue dos santos
sobre os moradores da terra e logo virá com as nuvens e “todo olho o verá”.
Sim! O Cordeiro da Páscoa virá outra vez! Desta vez, Seu povo O reconhecerá e dirá: “Bendito é o quem
vem em nome do SENHOR!” O Cordeiro estabelecerá Seu trono eterno em Jerusalém, e “o seu reino será um
reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão”.
O povo judeu, em todas as partes do mundo, por onde foram espalhados, comemora com fidelidade a Páscoa.
Durante as diferentes épocas da história, têm sido severamente perseguidos e em muitos lugares precisam
comemorar a Páscoa às escondidas, com medo. Apesar disto, cada Páscoa termina com uma declaração de fé e
esperança: “No ano que vem, celebraremos a Páscoa em Jerusalém!”!
A FESTA DOS PÃES ÁZIMOS E SEU CUMPRIMENTO NO MESSIAS
Conforme as instruções de Deus, no dia 15 do mês de nissan deveriam celebrar a festa dos Pães Àzimos
(sem fermento) “... por sete dias comereis pão sem fermento”. As casas hebréias tinham que ficar
completamente limpas de todo fermento.
O fermento provoca a fermentação da massa e nas Escrituras o fermento é símbolo do pecado: “Portanto,
como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos
os homens por isso que todos pecaram” (Rm 5.12) “Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a
massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem
fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” (1 Co 5.6-7).
Os filhos de Israel comeram o maná, o pão que Deus enviou do céu. Jesus, o Messias, é o verdadeiro
pão enviado do céu, satisfaz e concede vida eterna a todos os que crêem nEle: “Eu sou o pão da vida;
aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” (Jo 6.35).
Jesus, o Pão da Vida sem fermento, morreu por nossos pecados. Entregou Sua vida sem pecado por nós,
“o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos”. (Is 53.6). O Pão da Vida sem fermento foi
sepultado ao iniciar a festa dos pães sem fermento. Ressuscitou vitorioso sobre a morte e oferece vida
eterna a todos os que crêem nEle. A morte não podia retê-lO sob seu poder, porque nEle não havia pecado.
Virá então outra vez, para dar vida eterna a todos aqueles que invocam Seu nome.
A FESTA DAS PRIMÍCIAS E SEU CUMPRIMENTO NO MESSIAS
Conforme as instruções de Deus em Levítico 23.9-14, a festa das Primícias dos Primeiros Frutos, deveria
ser celebrada no dia seguinte ao primeiro dia festivo da Páscoa. Tinham que trazer ao sacerdote um maço
(ômer) de espigas de cevada, os primeiros frutos da colheita, e o sacerdote deveria movimentar aquele
ômer diante do Eterno, “para que sejais aceitos”.
“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas
se morrer, dá muito fruto.” (Jo 12.24). O Cordeiro de Deus morreu pelos pecados do mundo na Páscoa, foi
sepultado na festa dos Pães sem Fermento e ressuscitou com gloriosa vitória sobre a morte, em cumprimento
da festa das Primícias dos Primeiros Frutos. Quanto fruto haverá porque Jesus, o Messias, destruiu a
morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade. “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi
feito as primícias dos que dormem”. (1 Co 15.20).
Desde a ressurreição do Messias, as boas novas da salvação nEle, a mensagem de vida, tem sido espalhada
por todo o mundo. Somente o SENHOR sabe quantas almas tem passado da morte para a vida, por haver crido
nEle. Certamente seu número é muito grande! As Escrituras nos falam de uma multidão da qual ninguém pode
contar, de todas as nações e tribos, povos e línguas, diante do trono na presença do Cordeiro.
Quão grande colheita de vidas será a restauração do povo judeu! “Porque se a sua rejeição é a
reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Rm 11.15).
"Celebremos Las Fiestas Bíblicas”, Candace Shaw y Gloria de Pérez. (Jaiyim Israel, 1996)
Tradução: Claudimir de Morais
Claudimir de Morais, estudioso da Bíblia, pesquisador de história e cultura judaica, graduado em
teologia e presbítero da Congregação Rua Acre em Curitiba.
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