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Estudos
Estudos sobre Israel.
"Não terás outros deuses"

De: Yediot Aharonot – Principal jornal de Israel

“Não Terás Outros Deuses”

É o que diz o Ministério do Interior

*Por Yuval Karni e Natasha Mozgovia

           Os judeus messiânicos, 15 mil pessoas, a maioria dos quais é composta de cidadãos israelenses, são judeus por origem. Eles enviam seus filhos para as unidades de combate – e vivem em constante temor; estão acostumados com a hostilidade de organizações de judeus ortodoxos que espalham suas fotos pelos postes das cidades e que alertam as crianças contra os horríveis missionários. Também já estão acostumados a serem demitidos por causa de sua fé. Mas eles não conseguem entender como o Ministério do Interior, durante o mandato do ministro Avraham Poraz [do Shinui, partido político liberal], se juntou à perseguição e tentou revogar a cidadania de alguns deles. Poraz diz que para ele também é difícil entender os judeus messiânicos.

           O Estado de Israel não se apressa em revogar a cidadania de seus cidadãos. Não revoga a cidadania de delinqüentes, criminosos, estupradores ou até mesmo assassinos. O Estado de Israel não cogitou revogar a cidadania do homem que matou o primeiro ministro, nem a cidadania de terroristas árabes e judeus; nem os direitos de pessoas que ferem o Estado. Revogar a cidadania de alguém é uma das ofensas mais graves aos direitos de uma pessoa e cidadão, independente de suas ações. Mas esta regra, bem básica, não se aplica quando se trata dos judeus messiânicos. Christina Ben-Haim (28) foi, até nove anos atrás, uma cidadã norueguesa. Em setembro de 1995 ela veio para Israel para “se identificar com o Estado de Israel e com o povo judeu”, segundo suas próprias palavras. Ela passou um ano como voluntária no Kibbutz Beit-Alpha e, depois de passar outro ano na Noruega, retornou a Israel para estudar o hebraico na Universidade Hebraica de Jerusalém. Desde então ela tem vivido aqui.
           Durante seus estudos ela conheceu Seth Ben-Haim (30), cidadão israelense e em 9 de julho de 1999 eles se casaram. Desde o início da intifada ela escreve uma coluna pró Israel em um jornal norueguês, descrevendo a vida à sombra do terrorismo, longe do frio dos países escandinavos. Ela se autodefine como Sionista, mas, para o Estado de Israel, mesmo sendo casada com um cidadão israelense, Christina Ben-Haim não tem nenhum direito nem cidadania israelense. Nos últimos três anos ela vem tentando conseguir a cidadania israelense ou um visto de residência, mas sem resultado; sua permanência aqui é considerada ilegal.
           Três meses atrás, ela não pôde ir ao casamento de seu irmão na Noruega porque foi advertida que, se deixasse o país, não poderia voltar para Israel e para sua família. O único crime de Christina é pertencer à comunidade dos judeus messiânicos. “Tudo começou três anos atrás, quando eu vim renovar meu visto de residência”, disse Christina Ben-Haim, casada e mãe de filhos israelenses. “No Ministério do Interior me disseram que havia um problema, pediram mais documentos e fizeram muitas perguntas. Eu lhes entreguei todos os documentos que pediram e eles me disseram, então, que iam fazer uma reunião e depois me comunicariam sua decisão. A cada dois meses eu voltava ao Ministério do Interior para saber se já havia alguma posição e toda vez eles me diziam: ‘se nós ainda não te ligamos é porque ainda não temos nenhuma posição’. No último verão eu visitei minha família na Noruega e pedi um visto no Ministério do Interior. Eles me disseram que dissesse no aeroporto que o visto estava sendo processado e que eu não teria nenhum problema. ‘Eles permitirão sua entrada no país’. Quando cheguei no aeroporto quase fui deportada e me interrogaram por duas horas. Disseram que em seus computadores não constava nada sobre mim. Permitiram que eu entrasse no país pela última vez e carimbaram meu passaporte com a informação de que aquela seria minha última entrada. Eles me disseram que não tinha importância eu ter um marido e filhos israelenses; não importava o que eu tinha em Israel. Aquela seria minha última a última vez que eu entraria no país”.
           Depois dessa provação no aeroporto, Christina voltou ao Ministério do Interior, mas, para seu espanto, descobriu que o problema não estava nela. “Fui informada por eles que, depois que dei entrada no meu pedido de cidadania, eles checaram os arquivos do meu marido, que é um cidadão israelense, e agora querem revogar sua cidadania. Eles chegaram à conclusão súbita que, depois de viver toda sua vida como israelense, ele não é mais um deles”.
           Christina Ben-Haim notou que, em sua pasta no Ministério do Interior, havia vários documentos do “Yad Le’Achim”, uma organização judaica ortodoxa que faz guerra contra as comunidades não judaicas em Israel. Por que a pasta particular de Ben-Haim continha documentos de uma associação ortodoxa particular? O Ministério do Interior acha que ela não tem o direito de saber. “Eu pedi para ler aqueles documentos, mas eles não permitiram”.
           Somente após seu pedido chegar à Suprema Corte de Justiça, o Estado concordou em reconhecer seu status em Israel. O procurador do Estado, Galit Lavi, alega que seus direitos foram revogados porque ela era uma missionária atuante no país. É importante observar que, mesmo que os Ben-Haim participassem de alguma atividade missionária, tal atividade não é ilegal e nem motivo para se revogar os direitos de uma pessoa.
           Avraham Poraz, de todas as pessoas, após ouvir sua história, apresentou uma posição completamente diferente [da alegada por Galit Lavi]. “O ministro do Interior crê que, mesmo tratando-se de trabalho missionário, esta não foi a causa da recusa de seu status em Israel. O ministro crê que não devemos olhar um ato relacionado a crenças religiosas como contrário aos princípios fundamentais do Estado de Israel”.
           O caso de Christina e Seth Ben-Haim não é isolado. Os membros da comunidade de judeus messiânicos dizem que são constante e sistematicamente hostilizados por autoridades estaduais; hostilidades estas que beiram à perseguição. A situação deles é especialmente complexa porque eles se consideram judeus, judeus Sionistas, embora os Estabelecimentos Judaicos Religiosos os enxerguem como “convertidos e o Estabelecimento Cristão os vê como exceções. Quinze anos atrás havia apenas 2.500 judeus messiânicos; e hoje, eles chegam a 15 mil espalhados por todo o país, em dezenas de pequenas congregações. Nenhum deles foi, ainda, processado ou condenado por atividade missionária ilegal. Mas os perseguidores não estão interessados nos fatos”.
           Avraham (nome fictício) imigrou para Israel dos E.U.A. há 13 anos, juntamente com sua esposa e filhos. Lá ele era um gerente de banco. Segundo ele, eles vieram para Israel por motivos Sionistas. Imediatamente após sua imigração ele recebeu cidadania israelense e todos logo estavam aclimatados. Seus filhos serviram no exército, foram para a faculdade e hoje fazem parte do mercado de trabalho. Em agosto de 2003, 12 anos após terem imigrado para Israel em virtude da Lei do Retorno, Avraham foi surpreendido ao receber um fax em sua residência da parte de alguém importante no Ministério do Interior, escrito à mão e sem assinatura, instruindo-o a comparecer imediata e urgentemente àquele Ministério em Jerusalém. “Você está sendo convidado a comparecer no Ministério do Interior, na rua Shlomzio Ha’malka, às 10:00 h. da manhã, sala 205”, dizia o fax. “O Ministério do Interior não envia fax aos cidadãos. Eles nem mesmo sabem meu número de fax particular, mas, naquela manhã, eu recebi uma carta oficial através do fax, instruindo-me a comparecer no Ministério do Interior no dia seguinte, e tudo isto sem eu saber o que tinha acontecido e do que se tratava”, disse-nos Avraham. “A carta manuscrita não tinha nem o nome de um atendente. Eu não sabia o que eles queriam comigo”.
           O advogado de Avraham enviou uma correspondência ao Ministério do Interior para estabelecer a natureza daquela carta e recebeu a seguinte resposta: “Informo-lhe, através da presente, que você está convidado a comparecer em nossos escritórios para investigarmos e estabelecermos seu status e qualificação em Israel”. O advogado da família enviou outra correspondência ao Ministério onde informava que “quanto ao status e qualificação do meu cliente em Israel, gostaria de esclarecer que ele imigrou há 12 anos, recebeu sua cidadania segundo a lei e todos os seus filhos serviram no exército, cumprindo todas as suas obrigações para com o Estado da maneira mais apropriada possível. Portanto, o status e qualificação do meu cliente não é um assunto a ser debatido. Se há perguntas que precisam ser esclarecidas, eu apreciaria que as especificassem por escrito para que meu cliente as responda de maneira amigável”. Depois desta resposta, a família nunca mais recebeu nada do Ministério do Interior.
           Ze’ev Bern, morador de Petach Tikwa, sempre foi um excelente técnico em computadores nas instituições de ensino em sua cidade natal. Por quatro anos trabalhou em escolas e em Eshkol-Pais em Petach Tikwa. Ele tem cartas de recomendação e referências de todos os locais onde trabalhou. Mas, sua vida virou de pernas para o ar depois que a organização Yad Le’Achim, de Bnei-Brak, começou a espalhar pôsteres e panfletos acusando-o de pertencer à comunidade dos judeus messiânicos. Em 2002 a organização enviou uma carta a Sarah Shemen, administradora do departamento de ensino do segundo grau em Petach Tikwa, que dizia o seguinte: “Ze’ev Bern é membro da seita missionária extremista ‘Os Batistas Reformados’. A contratação de um missionário em qualquer posição dentro do sistema educacional, onde ele pode, facilmente influenciar as crianças e os jovens, deve ser tratada como algo muito sério. Pedimos-lhe que trate o assunto com muita seriedade e demita o missionário Ze’ev imediatamente”. E eles o fizeram. Pouco tempo depois de terem recebido esta carta Ze’ev foi convidado a comparecer diante do que ele chama de ‘a corte que vai a campo’ dos seus superiores. Segundo ele, o fato do administrador da secretaria da educação do município de Petach Tikwa, Rami Hofenbur, ser um homem religioso e membro do partido Mafdal, só apressou sua demissão.
           “Por quatro anos eu trabalhei em institutos educacionais em Petach Tikwa e todos gostavam do meu trabalho. Nunca levei minha vida pessoal ou a minha fé para as escolas”, Diz Bern. “Tudo começou com estranhos telefonemas que eu recebia em casa. Uma vez eu disquei 42 [para descobrir quem tinha ligado] e caiu na secretária eletrônica que atendeu com um ‘Yad Le’Achim, Shalom’. Depois, o supervisor da manutenção do Eshkol-Pais me disse que havia todo tipo de histórias a meu respeito e que eu era perigoso. Tudo culminou quando eles começaram a espalhar minha foto por toda a cidade sob o título: ‘Judeus, cuidado com este homem!!!’ Então eu procurei a polícia por causa dos telefonemas hostis e das fotos espalhadas pela cidade. O mais difícil para mim foi ver as crianças olhando para minha fotografia e acharem que eu era um criminoso perigoso”.
           Os supervisores imediatos de Ze’ev vieram em seu auxílio; eles conheciam o seu trabalho! Margalit Kedem, a diretora da escola de segundo grau Ironi Gold de Petach Tikwa, escreveu: “A quem possa interessar: O senhor Bern é um excelente trabalhador, com excepcional qualificação profissional e sua contribuição para a promoção do uso de computadores nas escolas é fora do comum. Seu relacionamento com toda a equipe é ótimo e todos gostam dele. Não é do nosso conhecimento que tenha, alguma vez, trazido sua vida particular para o trabalho”. Mas isto não ajudou. Logo depois Bern foi convidado a comparecer diante do chefão na prefeitura de Petach Tikwa, o homem do partido Mafdal, Rami Hofenburg. “Hofenburg repetiu a mesma história e finalmente me disse que trabalhar com crianças não era o meu lugar. Suas palavras foram: ‘Você deveria procurar outro emprego’. Depois disto eu fui demitido”.
           Bern não é a única vítima de uma campanha preliminar para enlamear as pessoas, promovida pelo Yad Le’Achim. Esta organização envia cartas ameaçadoras e assustadoras aos empresários que contratam suspeitos de estarem envolvidos em atividades missionárias. Em uma carta enviada às Indústrias Itay, um homem do “Departamento de Luta Contra Missões” do Yad Le’Achim escreveu: “Chegou ao nosso conhecimento que sua fábrica tem em seu quadro de funcionários o missionário ‘A’, membro da seita de judeus messiânicos em Rishon-Lezion. Mantê-lo como funcionário em sua empresa pode ser perigoso para o futuro judaico de seus empregados; e ao fazer isto, vocês estão permitindo a possibilidade dos funcionários da sua fábrica, Deus tenha misericórdia, virem a se converter”.
           Em outra carta, a organização ortodoxa exigiu da administração do hospital Asaf Harofe a dispensa do ótimo empregado Vitaly Raznitsky (34). “Vitaly, um missionário perigoso, pode usar sua posição como enfermeiro da sala de cirurgia para converter os judeus”, alertava a carta. O Doutor Igal Halperin, administrador do centro médico, enviou a Alex Artovsky, da organização Yad Le’Achim, esta resposta: “O Centro Médico Asaf Harofe tem cerca de 3000 funcionários. Até onde diz respeito à religião, eles são muçulmanos, cristãos e judeus. A maioria dos funcionários judeus é totalmente secular, o que significa, de forma clara e inequívoca, que eles desonram o sábado. Quanto às suas alegações, o Sr. Raznitsky é um excelente profissional e funcionário diligente. Não temos conhecimento de nenhum paciente que tenha reclamado de mensagens missionárias transmitidas por ele. Nenhum membro da equipe hospitalar reclamou ou comentou que o Sr. Raznitsky esteja envolvido em alguma atividade missionária dentro do hospital”.
           O Doutor Halperin concluiu sua carta com a sarcástica nota: “A idéia de ordenar a demissão desse funcionário com o mover de uma caneta é tida, na melhor das hipóteses, como ingênua; e na pior, como uma chance de aumentar sua atividade missionária, porque, se ele ficar desempregado, terá muito mais tempo em suas mãos para praticar tal atividade. Com a chegada da primavera, permita-me desejar-lhe Felizes Festas”.
           “Desde então eu nunca mais tive notícias deles”, diz Vitaly Raznitsky. “Quando fui chamado para uma reunião com o chefe da enfermagem, e depois com o administrador do hospital, pensei que iriam me demitir, mas tive sorte dele ser um homem secular. Se meu caso tivesse passado pelas mãos de um religioso, não tenho dúvidas de que teria feito tudo o que pudesse para me demitir”.


Entrevista com o porta-voz do Yad Le’Achim

P: Alex Artovsky, por que exigiu ao administrador do hospital Asaf Harofe que demitisse um excelente e dedicado funcionário?
“Temos a informação de que médicos e funcionários do hospital conversam com os pacientes sobre o Novo Testamento. Esse povo cinicamente tira vantagens dos pacientes e tentam convertê-los. O paciente vem ao médico para ser salvo [de suas enfermidades] e, no final, recebe Jesus. O que é isto? Eles estão tirando vantagem dos pacientes que não sabem como responder”.
P: Estamos falando aqui de uma comunidade não muito grande, o que o senhor tem contra eles?
“O Judaísmo os denuncia. Eles acreditam em Jesus. Isto é uma quebra brutal da lei. Algo chocante está acontecendo aqui: eles abrem discotecas para os jovens e depois os batizam, convertendo-os ao Cristianismo. E, mesmo depois de tudo o que fazemos, a polícia nem mesmo investiga as histórias”.
P: Por que distribuiu panfletos nas ruas de Petach Tikwa contra o técnico em computação Ze’ev Bern?
“Nós não distribuímos aquilo, não é nosso trabalho. Mas a panfletagem é uma atividade totalmente legítima, temos o pleno direito de dizer a todos os judeus para terem cuidado com esses missionários. Eles colocam em prática seus ensinamentos. Para quem o país foi criado? Para os judeus”.
P: Eles são Sionistas, por que eles o incomodam?
“Mas eles não são judeus. Onde é que diz na Lei do Retorno que um Sionista [não judeu] pode imigrar para Israel? Tudo bem, então eles são Sionistas. Há Sionistas no Zimbábue também. Eles podem obter cidadania? Essas pessoas estão colocando em perigo a existência do estado de Israel”.
P: O senhor não está exagerando um pouco?”
“Não! Não apenas eles são um perigo espiritual, como também um perigo físico. Eu mesmo já ouvi sobre um deles ajudar crianças palestinas em Gaza. Eles são um perigo para o caráter do Estado. Eles vão transformar os judeus em Cristãos. Trata-se de um perigo demográfico para o povo judeu. O rabino Drukman já disse que o que eles querem é destruir a nação de Israel, destruir sua espiritualidade. O que Hitler não conseguir fazer, eles estão tentando, estão tentando destruir a nação dos judeus. E o que significa isto de um judeu crer em Jesus? É como um vegetariano que come carne”.
P: Nós conhecemos alguns oficiais no exército e são pessoas educadas que contribuem para a sociedade israelense.
“Eu não tenho problemas com ninguém servindo no exército e eu não me importo com sua religião. Mas, será que isto pode receber um certificado kosher? Alguns criminosos também serviram no exército e, por causa disto, eles receberam certificado kosher por serem judeus? A propósito, eles pregam o Cristianismo no exército também. Nossa única exigência é que isto venha a público. Eles têm um grupo para quem é viciado em drogas e acabam levando os jovens para perto de Jesus. Somos um país de tolos por permitir que missionários acabem com nosso estado judeu”.
P: Mas nenhum deles foi condenado por atividade missionária ou por burlar a lei.
“Esta é a grande injustiça porque a polícia ignora seus casos. O Estado não se importa com esses tipos de crime. Temos prova de que estão burlando a lei, mas a polícia ignora. É terrível o que está acontecendo”.


Entrevista feita com o ministro do Interior

O ministro do Interior, Avraham Poraz [Nota do Editor: Poraz não é mais o ministro do Interior] disse que a comunidade dos judeus messiânicos não pode receber cidadania israelense em virtude da Lei do Retorno. “A Lei do Retorno dá o direito de returno ao judeu somente. Um judeu que se converte deixa de ser judeu no que diz respeito à Lei do Retorno”.
Poraz disse que decidiu tornar as coisas mais fáceis para aqueles cidadãos que as autoridades decidiram deportar depois de muitos anos sob a alegação de que receberam sua cidadania ilegalmente. “Eu dei início a um procedimento, que se encontra em uso, onde a cidadania só pode ser revogada nos três primeiros anos após a imigração para Israel. Após esses três anos, não reabrimos mais os arquivos. Se eles receberam sua cidadania através de fraude [Nota do Editor: “fraude” pode significar qualquer coisa], ela pode ser revogada. Mas [mesmo assim], eles receberão, de forma humanitária, o status de residentes permanentes de Israel se já transcorreram três anos desde o dia que imigraram.

P: Como ministro [do Interior] e como religioso, o senhor reconhece os judeus messiânicos?
“Não, não. Qualquer pessoa que creia em Jesus não é um judeu. O que posso fazer? O Judaísmo não crê em Jesus. É considerado idolatria. Aquele que crê em Jesus, aos meus olhos, é um Cristão e ponto. Mas se eu decidisse amanhã de que eu cria em Jesus e que eu era um judeu messiânico, ninguém poderia revogar minha cidadania. Uma pessoa em Israel tem o direito de se converter, tem o direito de se tornar um cristão. A propósito, eles são excelente pessoas; não tenho nenhuma reclamação contra eles. Está claro que o Yad Le’Achim os persegue porque praticam, de alguma forma, atividade missionária que, por sinal é um direito deles, conquanto não façam isto por benefício próprio. Eles têm o direito de contar todo tipo de história do Novo Testamento e, se elas te convencerem, isto também é um direito seu”.
P: Mas, por que seus arquivos no Ministério do Interior incluem cartas oficiais desta organização religiosa, o Yad Le’Achim?
“Vocês precisam entender. O último ministro secular que passou por aqui por um período integral foi em 59. Todos os outros ministros seculares ficaram aqui só um ano. Ramon – um ano; Barak - um ano; eu – um ano e um quarto... logo eu não estarei mais aqui também. Este é um escritório que ficou nas mãos de partidos religiosos por décadas. Afetou o gabinete e os funcionários, sua forma de pensar. Então eles acabam aceitando informações sobre os judeus messiânicos”.
P: E o funcionário que foi demitido pela prefeitura de Petach Tikwa com base em sua fé?
“Não creio que isto proceda. Por outro lado, eu não tenho controle sobre as autoridades locais. É o mesmo que demitir um judeu ortodoxo por medo de que vá influenciar as crianças a se tornarem ortodoxas. Na minha opinião, tornar as pessoas ortodoxas e a atividade missionária, são a mesma coisa”.
P: E por que a cidadã norueguesa, que se casou com um cidadão israelense, permaneceu em Israel por três anos sem status? Por que ela não pôde ir ao casamento do irmão no exterior por temer não poder voltar para Israel?
(o ministro Poraz revê o caso da Suprema Corte de Justiça que nós lhe apresentamos e depois diz:)
“Bem, isto foi errado. Se eu soubesse qual dos nossos atendentes fez isto, eu arrancaria os olhos dele. Neste caso não havia razão para atormentá-los. Ela tinha [originalmente] recebido status, mas eles começaram a fazer muitas perguntas e isto foi redundante. Eu acho que esses funcionários aprenderam esse ‘comércio’ com o partido Shas [ultra-ortodoxo]. Há funcionários aqui que estão trabalhando há 40 anos ou mais em regime religioso no ministério. E isto quer dizer que, quando alguns deles ouvem o termo ‘judeu messiânico’, seus cabelos ficam em pé. Já estou acostumado com este fenômeno”.
           Após extensiva exposição na mídia, incluindo o artigo acima, Christina Ben-Haim ganhou cidadania plena. Avraham Poraz foi substituído por Ophir Pines-Paz (também secular). Embora este artigo seja de alguns meses atrás, cremos que ele poderá mostrar como é a vida dos judeus messiânicos sob o ponto de vista da imprensa liberal de Israel. *Reproduzido com permissão ao “Ministério Maoz”


* Expressadamente Proibida a reprodução parcial ou total (mecânica/eletrônica)
Desta Matéria Sem Autorização Deste Ministério No Brasil.


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