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Você Precisa Saber - Por Shira Sorko Ram
Teddy Mayor

Maoz Israel Ministérios

O prefeito que inventou Jerusalém de 1965-1993
DESCANSA UM DOS ÚLTIMOS PAIS-FUNDADORES DE ISRAEL


Por Shira Sorko-Ram


           Teddy, como todos o chamavam, tornou-se prefeito de metade de uma cidade, toda sucatada, com um alto muro que a dividia ao meio. Jerusalém era uma cidade provinciana, subdesenvolvida e pobre – uma fortaleza numa fronteira hostil. A casa do tesouro estava vazia porque não investiam mais nela e os turistas ficavam ali apenas por um dia.

           Dezoito meses depois de tomar posse pela primeira vez, explodiu a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e, repentinamente, de forma chocante, Jerusalém se tornou uma “cidade unida”. Na mesma hora Teddy derrubou o colossal muro entre os judeus e os árabes, e nos anos seguintes, transformou a ampla faixa de terra-de-ninguém em uma linda área verde. Também conseguiu acabar com a massa de barracos que havia próximo ao Muro Ocidental e fez ali uma enorme Plaza que é visitada virtualmente por todo turista que vem a Israel. Além disso, ele começou a expandir Jerusalém para todos os lados com a construção de milhares de novos apartamentos.

           A missão de vida de Teddy Kollek foi transformar Jerusalém de uma sonolenta cidade oriental a uma moderna e vibrante capital israelense. Mas sua maior grandeza reside não apenas em contender com grandes e óbvias empreitadas. Seu sucesso, sem modéstia, veio da ênfase que dava às menores coisas, aos mínimos detalhes de tarefas diárias que não tinham o mínimo de glamour: as “tarefas domésticas” como ele as chamava. Para ele nada era por demasiado pequeno ou mundano de forma que não merecesse sua atenção (Jerusalem Post, 03/01/07).

SEU TELEFONE CONSTAVA NA LISTA TELEFÔNICA


           O número de seu telefone sempre constou nas listas telefônicas e sempre que chegava em casa tarde da noite, sua esposa tinha uma pilha de recados dos moradores de Jerusalém que pediam sua ajuda. Uma senhora, disse sua esposa, havia ligado 1:00 da manhã – Teddy ainda não havia chegado em casa – e disse que havia um buraco ao lado de sua casa há mais de um mês e ninguém havia feito nada. Teddy ligou de volta para ela às 3:00 da manhã e disse: “Senhora, amanhã de manhã a primeira coisa que vou fazer vai ser providenciar o conserto desse buraco”.

           Os Kolleks geralmente se levantavam às 5:30 da manhã e passavam meia hora conversando à mesa do café da manhã antes dele ir para o escritório. Eles viviam em um apartamento com três quartos, no terceiro andar de um edifício que não tinha elevador. O filho de Kollek, Amos, disse no funeral do pai: “Ele era um homem extremamente forte no espírito e no físico, leal à sua família e ao seu trabalho, de forma absoluta” (idem, 03/01/07). Os Kolleks foram casados por 70 anos.

           Com sua persona-maior-que-a-vida, que uniu o charme irrepreensível e amor à vida de sua infância em Viena com a rudeza realista de Israel, ele se sentia em casa tanto brindando com astros do cinema, famosos e milionários – com quem ele conseguiu milhões de dólares em ajuda – quanto ouvindo reclamações de seus eleitores, dia e noite. David Horovitz, editor do Jerusalem Post, também faz eco à visão de Israel de um dos maiores prefeitos de todo o mundo, em todos os tempos: “A idéia de bem-estar pessoal de Teddy residia exclusivamente no crescimento de sua cidade, e não de sua conta bancária” (idem, 05/01/07).

           O infatigável e irascível prefeito derramou sua alma nesta cidade. Durante os passeios de carro por toda a cidade, Kollek sempre falava aos seus auxiliares: “Precisamos de mais verde aqui”, “Vamos focar mais na educação”, “A cidade está muito suja”. O que dava para ser feito imediatamente apareceria numa lista a ser distribuída aos seus secretários naquela mesma manhã, e ai do departamento que falhasse em cumprir suas designações.

           Um de seus assistentes mais próximos disse que Teddy “foi um extraordinário e único ser humano, que se esforçava para melhorar a vida de todos os moradores de Jerusalém e que via a todos – judeus, muçulmanos ou cristãos – como parceiros iguais na hora de transformar Jerusalém no ícone da esperança”. Ele ficou conhecido como o benfeitor de toda Jerusalém – de todas as suas comunidades.

OPERAÇÕES DIVERSAS DO SERVIÇO SECRETO


           Seu poder de persuasão e de criar fatos era miraculoso. Na verdade, sua lista de realizações antes de se tornar prefeito de Jerusalém é absolutamente espantosa. Ele ajudou a escapar milhares de judeus que fugiam da Europa Nazista, usando todo tipo de disfarce e ferramenta à mão. Uma vez, ele entregou 3 mil cartões agrícolas britânicos a jovens judeus alemães que conseguiram fugir para a Inglaterra. Outra vez, conduzindo um grande número de judeus austríacos com vistos britânicos, convenceu um oficial Nazista a deixá-los ir. Somente 20 anos depois foi que Teddy reconheceu aquele oficial como sendo o infame Adolf Eichmann, que foi julgado e enforcado em Jerusalém por sua participação no genocídio.

           Muito antes do nascimento do novo Estado, Teddy levantou milhões de dólares nos EUA e na Europa, contrabandeou armas e pessoas para a então chamada Palestina, para ajudar a preparar seu povo judeu para o violento ataque dos exércitos árabes que logo cairiam sobre eles, quando os britânicos, que ocupavam a terra, fossem embora. Em determinado momento, cuidando dos negócios em um escritório que ficava sobre um bar sombrio em Nova Iorque, ele trouxe clandestinamente equipamentos vitais para o exército israelense que estava ainda por nascer. Ele surrupiava peças de velhos aviões, consertava aquelas que conseguia, e depois as enviava às escondidas para a Palestina, até que o FBI o alertou que estavam de olho nele (idem, 03/01/07). Todavia, seu incrível número de contatos com oficiais do Serviço Secreto nos países europeus, além da variedade de espiões que tinha a seu mando, ele era de grande valia para a CIA, por intermédio de seu amigo James Angleton, chefe de contra-espionagem da CIA.

           Depois da Guerra da Independência, seu governo o instruiu a ajudar a estabelecer outro veículo para arrecadar fundos através de debêntures, já que a pequena nação estava com as mãos abanando e mal conseguia pagar por combustível e comida para seu povo. Um dia, o governo precisou desesperadamente de 20 milhões de dólares que deveriam ser levantados em 48 horas. Kollek estava em um avião de Nova Iorque para Washington quando percebeu que Averil Harriman – então diretor da Agência de Segurança Mútua dos EUA – viajava no mesmo avião e conseguiu o dinheiro com ele!

DINHEIRO PARA SUA AMADA JERUSALÉM


           A coragem de Kollek, sua habilidade e recursos para levantar dinheiro e conseguir empréstimos nos lugares mais inesperados e com as pessoas menos promissoras possíveis, fizeram com que conseguisse ajudar Israel a se erguer e, depois, como prefeito, pôs milhões de dólares na construção e no embelezamento de sua amada Jerusalém.

           Ao usar sua incrível habilidade de se relacionar com as pessoas, ele estabeleceu o Fundamento de Jerusalém, que custeou a construção de jardins, parques, estádios, bibliotecas, clubes para os jovens, sinagogas e muitas instituições culturais e atividades em sua cidade. Sua maior realização, ele cria, foi o Museu Hebraico, que abriga muitas antiguidades preciosas, incluindo os Pergaminhos do Mar Morto.

           Depois de cumprir seis mandatos como prefeito, o velho Teddy de 83 anos, foi derrotado em 1993 pela constituição ultra-ortodoxa de Jerusalém que optou por Ehud olmert, que agora serve como primeiro ministro de Israel. O brilhante slogan de Olmert “Por te amar Teddy – vou votar em Olmert” fez com que os moradores de Jerusalém continuassem a adorar Teddy e escolhessem um homem mais jovem. Embora estivesse fora dos gabinetes públicos, Teddy ainda continuava incansavelmente a levantar fundos para deixar Jerusalém ainda mais bonita, seus parques, ruas e até mesmo um zoológico que se tornou seu projeto de estimação em seus últimos anos.

           “Nós perdemos nosso maior prefeito”, disse um velho morador de Jerusalém. Não há políticos como Teddy nos dias de hoje. Pode ser que nunca mais haja outro líder como ele.

SUA TRISTEZA COM JERUSALÉM


           Por melhor prefeito e homem que tenha sido, Kollek não tinha controle sobre eventos externos, como a primeira intifada, que transformou grandes áreas da Jerusalém oriental em locais sem acesso. E também - reclama o diretor do Jerusalem Post, David Horovitz – Kollek foi um grande construtor, mas falhou em criar uma infra-estrutura que criasse empregos além do funcionalismo público. Durante seus mandatos, fábricas e empresas se mudaram para Tel Aviv, juntamente com um grande êxodo da classe média secular, deixando a cidade para os judeus ultra-ortodoxos e muçulmanos árabes. Devido ao seu trabalho, Jerusalém foi uma cidade unida – mesmo que só na palavra. Hoje, quem administra a cidade é um prefeito ultra-ortodoxo e a visão de uma Jerusalém unida é algo do passado (idem, 03/01/07).

           Mesmo assim, como visionário, como homem honesto, implicante com as pequenas coisas, ele é tido como um grande homem, ao lado de outros fundadores de Israel. Foi o pai da Jerusalém moderna. O fato de ele ter morrido no mesmo dia em que foi manchete dos jornais o maior escândalo de corrupção do governo de todos os tempos, corrupção que aflige todas as alas do governo, faz com que os israelenses anseiem mais ainda pelos dias quando Israel tinha verdadeiros líderes.


COMO OFERTAR
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Agência 0157-0
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