|
|
|
|
 |
| Você Precisa Saber - Por Shira Sorko Ram |
| Israel: O Estado “dos Escândalos” |
|
 |
|
Israel: O Estado “dos Escândalos”
Por Shira Sorko-Ram
|
As manchetes gritaram: “Presidente Katsav será indiciado por estupro”. O país ficou chocado; boatos vazaram e contra-acusações voaram para todos os lados. Tudo começou com as acusações de uma mulher, depois de outra, e mais outra. Mas, quando o procurador-geral de Israel, Menahem Mazuz, enviou uma carta ao presidente onde declarava que, dependendo do resultado de um depoimento, ele o indiciaria por crime sexual contra quatro mulheres, incluindo um caso de estupro. A credibilidade das instituições de Israel e dos políticos chegou ao fundo do poço.
Os detalhes tristes das manchetes em hebraico fulguraram com frases do tipo: “Katsav me disse: ‘quero fazer sexo com você’”. O país inteiro ficou enojado e os repórteres começaram a prever quantos anos ele passaria na cadeia – a pena máxima para estupro é de 16 anos.
O presidente de Israel não tem poder político real; sua posição é apenas simbólica. Mas ele é visto com respeito e como representante estimado de tudo o que é bom e grande no Estado de Israel. A honra e o amor demonstrado pelos israelenses a este símbolo vivo, deram força moral a uma nação que vivia cercada, acusada de pária e fonte de todos os problemas no mundo árabe. Todos tinham orgulho de Moshe Katsav porque ele representava a bondade nos homens – nos israelenses.
Pelo menos era o que todos achavam, até que viram nas manchetes frases como esta: “O presidente está sendo acusado de estupro e de praticar atos imorais sem o consentimento da vítima - “A” - que trabalhou no Ministério do Turismo de 1998 a 1999, durante o mandato de Katsav”. Outra mulher, que trabalhou na residência de Katsav em 2003 e 2004, o acusou de praticar atos imorais e também de assediá-la sexualmente, usando sua autoridade de presidente. O terceiro e quarto casos envolveram duas outras mulheres em situações semelhantes. A polícia apresentou queixa de uma quinta mulher, mas Mazuz aceitou apenas de quatro. O que convenceu o procurador-geral a aceitar as acusações foi que as duas primeiras mulheres, sem se conhecerem, descreveram os ataques sexuais de Katsav de forma muito semelhante. Ao todo, dez mulheres deram queixa de crimes supostamente praticados por Katsav, que vão de assédio sexual a estupro.
À medida que as evidências se acumulavam, o gabinete do presidente Katsav contra-atacou e disse que uma das mulheres era prostituta. “No entanto, ela permitiu que os investigadores examinassem sua conta bancária para provar que ela não recebeu dinheiro por seus serviços sexuais e permitiu que eles entrevistassem todos os homens com quem ela havia saído. Ela deu os nomes de todos os seus empregadores e seus endereços antigos, que foram investigados e checados, e não encontraram nada que pusesse em dúvida sua credibilidade. Um teste com polígrafo confirmou que tudo o que ela disse era verdade” (Haaretz, 26/01/07). Agora ela está processando os assessores do presidente por calúnia e difamação.
A REAÇÃO DO KNESSET
Poucas horas depois do anúncio das intenções de indiciamento, membros do Knesset – da Direita e da Esquerda, exceto os ortodoxos – pediram a renúncia do presidente. Um dos membros do Knesset, Ran Cohen, cujo partido esquerdista – o Meretz – liderou as acusações contra Katsav, exigiu que “ele renunciasse imediatamente, depois de ter humilhado a presidência como instituição” (idem). Editores, correspondentes e âncoras de quase todos os setores das principais mídias, também exigiram sua renúncia. Os editores do Jerusalem Post escreveram: “Trata-se verdadeiramente de um dia de consternação ao sabermos que o presidente do nosso país, o homem que supostamente personifica o melhor que há em nossa nação e, nem precisa ser dito, deve ser um exemplo de bom cidadão e de bom cumpridor da lei, seja indiciado por tantos crimes graves... Esperamos que Katsav entenda que tem a oportunidade, ao renunciar, de salvar uma pequena parcela de respeito, fazendo o que é melhor para o bem da nação” (24/01/07).
O PRESIDENTE LUTA POR SUA HONRA
Ao invés disso, uma nação atônita testemunhou uma tirada pela televisão onde ele atacou a polícia, o procurador-geral e especialmente a mídia, acusando-os de formarem uma gangue para destruí-lo. Ele disse que, só porque era de origem sefaradita (Katsav nasceu no Irã e seus pais mudaram para Israel quando ele tinha apenas um ano de idade), os judeus asquenitas (de origem européia) sempre o perseguiram e sempre obtiveram os melhores gabinetes de Israel.
Na verdade, os judeus sefaraditas sempre nutriram um profundo sentimento de inferioridade. Por não terem tido melhores oportunidades educacionais, como os judeus europeus tiveram, muitos sefaraditas sentem que o país os pretere e os envia para cidades pobres e oprimidas assim que imigram para Israel, abandonando-os à própria sorte.
O sentimento de vítima de Katsav, sentimento de desprezo por parte da “elite” israelense na mídia e no poder, pôde ser claramente sentido em seu discurso de presidente. Sua atuação irada na residência presidencial – que também veio a ser sua última atuação ali – mostrou-o como a eterna vítima, o rejeitado da nação. Todo o sentimento de privação veio à tona em seu discurso, direto da residência presidencial.
Katsav, disse um de seus assessores, nunca imaginou que pudesse ser indiciado com acusações tão graves. Depois de todas as evidências que apresentou, ele acreditou, até o último momento, que havia convencido a polícia de que era inocente. No entanto, repentinamente, percebeu que todo o país havia sido informado que seu presidente era um agressor sexual contumaz e perigoso.
Ao invés de renunciar, algo que todo o país esperava que fizesse, Katsav pediu um afastamento de três meses, o que significa que ele teria direito de receber salário e de continuar morando na residência presidencial. Como era de se esperar, muitos israelenses, vindos das regiões sefaraditas mais pobres de todo o país, se identificaram com a situação de Katsav e com seu sentimento de perseguição e declaram que ele é totalmente inocente e que foi vítima de uma armação por parte dos asquenitas elitistas.
A REAÇÃO INCRÉDULA DA MÍDIA
A mídia reagiu com grande ira às acusações do presidente. “Katsav tentou colocar no banco dos réus a polícia, o procurador-geral do Estado, os membros do Knesset, membros dos direitos civis e, acima de todos, ‘a mídia inimiga’, ao invés de si próprio... Katsav e seus mestres na arte de protelar prepararam o discurso com a clara intenção de usar o profundo sentimento de hostilidade que o público nutre pela mídia...” disse o conhecido jornalista Anshel Pfeffer (JP, 26/01/07).
Os editores do Jerusalem Post responderam: “A principal função do presidente – além de representar o modelo a ser seguido de cidadania e retidão – é unir nossa sociedade dividida, judeus e árabes, ricos e pobres, religiosos e seculares e asquenitas e sefaraditas. Agora ele levou um golpe que, se não curar, nunca mais será curado”. E Katsav disse: “Hoje, milhões de israelenses, que acreditavam que o sistema agia contra eles, tiveram a confirmação que veio da mais alta fonte. O que aconteceu comigo pode acontecer a qualquer um” (idem).
KATSAV CRÊ QUE NÃO FEZ NADA DE ERRADO
Katsav está genuinamente convencido que sua atitude é normal no meio político e entre as pessoas do alto escalão; ele crê que está sendo perseguido simplesmente por causa de suas origens. Um pouco antes de concorrer à presidência, ele disse a um amigo que não concorreria porque “o país não estava preparado para aceitar como candidato uma pessoa como ele”.
Mesmo depois de seis anos como presidente, Katsav não conseguiu apagar a grande humilhação que sentiu depois de sua eleição. “Em todas as oportunidades, ele condenou grupos do poder que, segundo sua avaliação, o trataram com desdém e zombaria. Em seu discurso na linda residência presidencial, ele citou a todos, um após o outro, diante de toda a nação. Nunca antes em Israel houve tamanho ataque deste tipo” (Haaretz, 26/01/07).
Hoje, tanto os políticos quanto a mídia, admitem que já sabiam de seus abusos sexuais antes mesmo dele se tornar presidente. Mas, porque, na época, nenhuma das mulheres quis falar publicamente sobre os assédios, os jornalistas não prosseguiram com o caso.
TEM INÍCIO O PROCESSO DE IMPEACHMENT
Pela primeira vez na história do Knesset, o comitê da câmara deu início a um processo de impeachment de um presidente. Se 19 dos 25 membros do comitê do Knesset aprovarem este impeachment, ele irá a plenário, onde 90 dos 120 membros parlamentares terão que aprovar a moção. O número é tão alto que há poucas chances de ser aprovada, já que os ortodoxos provavelmente votarão contra o processo de impeachment. O irônico é que supostamente há muitas alegações de corrupção nos círculos políticos ortodoxos, que ainda não foram investigadas. Na verdade, eles, mais do que os todos, temem que possa haver precedentes que conduzam a uma investigação e punição por crime e corrupção.
O impeachment pode levar de cinco a oito semanas e os advogados de Katsav descreveram os depoimentos do Knesset como “ultrajantes e que podem infringir nos direitos essenciais do presidente, tanto como tal, quanto como cidadão”. Uma vez que o procurador-geral ainda não o indiciou, os advogados alegam que o Knesset está promovendo um “julgamento de zombaria” (JP, 14/02/07).
Ran Cohen, membro do parlamento e também judeu sefaradita, que nasceu no Iraque, disse: “Este homem não pode continuar a servir o país como presidente nem mais um minuto. Meu sangue sobe ao rosto ante esses atos atribuídos a ele. Se ele não renunciar, o Knesset precisará agir e demiti-lo. Se isto não for possível, iremos persegui-lo até que renuncie. Katsav só poderá limpar seu nome enlameado na corte. Em seu aparecimento público na semana passada, o presidente disse que a melhor defesa é o ataque e enxovalhou os fundamentos mais importantes da democracia do país” (Haaretz, 29/01/07).
Shimon Peres, o estadista israelense ainda vivo mais conhecido – além de Benjamin Netanyahu – que aspira ser o próximo presidente – revelou recentemente que sabia das aventuras sexuais de Katsav desde 2000. Se isto for verdade, uma das possíveis razões do porquê Peres não as tornou públicas, é porque ele achava que naquele ano ele mesmo concorreria às eleições presidenciais. Foi um grande choque para todos quando o Knesset elegeu Moshe Katsav ao invés de Shimon Peres. Imediatamente após o resultado das eleições, membros do Knesset dos principais partidos lembravam condenados diante do esquadrão de fogo. Companheiros da Esquerda e da Direita pareciam congelados e brancos como giz. Katsav nunca esqueceu isto. As pessoas, que assistiam em suas casas o ataque do presidente aos seus inimigos – o próprio governo que ele representava – sabiam que estavam vendo os estertores da morte do símbolo do reino. Ele malhou e avacalhou quase todas as instituições democráticas neste país. Em seguida, em uma ação muito incomum, um de seus principais advogados, o professor David Libai, se distanciou do discurso e pediu afastamento da equipe de defesa de Katsav. Libai, tido como força moral em Israel, não deu nenhuma explicação.
ESCÂNDALOS AQUI, ACOLÁ E EM TODOS OS LUGARES
Se a calamidade de Katsav fosse o único escândalo nos altos lugares públicos, talvez as coisas não fossem tão ruins assim. Mas, em janeiro, três juizes da Corte dos Magistrados de Tel Aviv, condenaram por unanimidade, e sem equívocos, o ex-ministro da Justiça, Haim Ramon (ele renunciou devidos às acusações contra ele) pela prática de atos imorais e por beijar, à força, uma soldado de 20 anos. A pena máxima de prisão, que ainda não foi deferida, é de três anos de reclusão. A moça, que acabou de concluir seu serviço militar, tinha pedido para tirar uma foto com o ministro da Justiça. Porém, depois que um de seus amigos soldados tirou a foto, ele saiu e Ramon a agarrou à força pela cintura, puxou-a contra si, colocou uma das mãos no rosto dela e a beijou, enfiando a língua em sua boca – tudo isto sem o consentimento da garota.
Anshel Pfeffer observa que há “uma nova intolerância do público para com a corrupção e os crimes cometidos por pessoas públicas”. Recentemente foram abertas investigações contra o primeiro ministro Ehud Olmert por seu envolvimento na venda de um banco. Há também uma investigação avassaladora de crimes cometidos por oficiais do alto escalão no setor de impostos, que permearam as manchetes por vários dias. Isto sem mencionar o Comitê Winograd, que investiga a última guerra contra o Hezbollah. O povo, que se encontra em profundo estado de tristeza pela baixa performance dos militares, exigiu que investigassem o primeiro ministro Ehud Olmert, o ministro da Defesa Amir Perez e o tenente-general Dan Halutz. Este último já renunciou devido às pressões do povo e da falta de apoio dos próprios militares. Ele admitiu que cometeu erros ao depender da Força Aérea e por não convocar a reserva ainda no início da guerra.
O clamor nacional ainda é muito forte contra Olmert e Perez, que, dizem, não entendem nada de guerra. Os três temem por suas cabeças quando o Comitê Winograd tornar público suas descobertas, o que acontecerá em poucos dias.
Outro terremoto que atingiu o país foi o caso da Comissão Zeiler que investiga o relacionamento da polícia com criminosos e que levou à condenação da administração por procedimentos da polícia e que também recomendou a expulsão do comissário de polícia de Israel e de outros oficiais graduados.
O comissário renunciou na mesma hora e foi apontado um novo para o cargo. E, acredite se quiser, o no novo comissário tem um passado questionável – foi indiciado por suborno, fraude, quebra de confiança e abuso de poder. Embora a Suprema Corte o tenha inocentado por falta de provas concretas, sua conduta foi grandemente criticada.
O jornalista Amotz Asa-El escreveu: “Até agora Israel foi conduzido por três gerações. Primeiro veio a dos pais-fundadores, sendo que alguns deles foram visionários na mesma escala de David Ben Gurion e Menachem Begin e todos modestos... Depois vieram os generais, a maioria de mente fechada e alguns corruptos, mas nenhum deles foi acusado de não ter feito algo pelo país. E agora vieram os ladrões de cavalos”. “Para eles”, continuou Asa-el, “os sonhadores sionistas foram idiotas românticos que acharam que o poder era o meio e não o fim” (JP, 09/02/07).
Nós, os messiânicos, que entendemos os alertas dos profetas a respeito do futuro de Israel enquanto ele confiar em homens, só podemos lamentar pela depravação moral que permeia quase todas as esferas do governo e posições de poder. Seus líderes atordoaram o país e falharam para com ele. Israel não encontrou um salvador para protegê-lo do Hamas, do Hezbollah, da Jihad Islâmica, do Irã e nem de si mesmo.
É trágico, mas é uma realidade: somente quando nossa nação alcançar o fundo do abismo é que as pessoas irão buscar o Deus vivo e verdadeiro. Mas, até que isto aconteça, crescerá o número de israelenses que serão purificados e mudados por Yeshua. Todos aqueles que buscam verdadeiramente a Verdade terão uma oportunidade de encontrar seu Messias.
E nós, as congregações messiânicas de Israel, seremos lugares de refúgio, habitação de Sua glória e lugar de esperança para os desesperados – para aqueles que, finalmente, voltarão para casa, para seu Deus e seu Rei – o Rei dos judeus. É por este motivo que a congregação Tiferet Yeshua existe e continuará a avançar contra todos os obstáculos, porque vale a pena a batalha pelas almas de Israel!
* Proibida a cópia e reprodução parcial ou total, mecânica ou eletrônica desta matéria, sem autorização por escrito de nosso escritório no Brasil.
|
|
|
|
|
|
|
|