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África - Burkina Fasso
África: Qual é o Problema?

África: Qual é o Problema?

Por Shira Sorko-Ram


           Burkina Fasso. Aqui vamos nós mais uma vez, orando e trabalhando para vermos o “impossível” – crendo que Deus plantou no fundo do nosso coração a visão de ajudar a arrancar da pobreza o terceiro país mais pobre de todo o mundo!
           Na região central da África estão muitos dos países mais pobres do mundo. Vinte e cinco deles, que se encontram abaixo do Saara, sofrem a maldição de economias estagnadas, com seu povo ficando cada vez mais pobre e mais faminto a cada ano.

           E esta realidade precisa ser ampliada com o fato de que nas duas últimas décadas muitos bilhões de dólares foram repassados à África - ninguém sabe dizer precisamente quanto, mas estima-se por baixo que está na casa dos 200 bilhões! E para os próximos dez anos, países do ocidente prometeram enviar mais 25 bilhões de dólares.

           E dos quase um bilhão de pessoas na face da terra que sofrem de desnutrição, metade vive nos países localizados abaixo do deserto Saara e, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano da ONU, de 2005, 15 dos 31 países no limiar do desenvolvimento econômico, que a própria ONU rotula de “Baixo Desenvolvimento Humano”, são países de língua francesa.

           Burkina Fasso fala francês, não é banhado pelo mar, tem poucos recursos naturais e é o terceiro na lista dos mais pobres, ficando acima apenas de Serra Leoa (que foi destruído por uma inimaginável guerra travada por milhares de soldados-crianças) e de Níger, que é o país mais pobre do mundo, cuja língua também é o francês.

           O mundialmente famoso economista Jeffrey Sachs, faz a seguinte declaração: “A idéia de que o fracasso na África é resultado das péssimas performances de governo é um dos maiores mitos de todos os tempos. Eles não conseguem sair do buraco sozinhos. Se não fizermos diferentes tentativas de ajudá-los, não só veremos ocorrer certos colapsos, como também haverá um aumento catastrófico na espiral da violência” (New York Times, 07/11/04).

           Enquanto os grandes pensadores tentam descobrir o que fazer, nós cremos que Deus nos deu um plano prático para ajudar Burkina Fasso a sair de sua pobreza! Talvez isto possa soar meio “chutzpah”, mas há um fator que Sachs e os pensadores do mundo nunca pensaram antes. Deixe-me explicar!

DESENVOLVIMENTO DO PLANO


           Durante as Festas Sagradas deste ano, nós nos sentamos com Ram Zango e Shlomo Sasson em Israel para discutirmos nosso projeto agrícola que está sendo desenvolvido ali naquele país. Ram é um respeitado líder espiritual e Shlomo é engenheiro agrônomo. Você pode acessar o site neste endereço: www.westafricainitiative.org.

           Shlomo fez um relato dos desafios e das oportunidades nesse país de 13.500.000 almas, do tamanho do Rio Grande do Sul. Segundo o mesmo relatório da ONU, o burquinense ganha em média 345 dólares por ano, pouco menos de um dólar por dia, embora se estime que seu poder aquisitivo seja de US$ 3,20 por dia. Cerca de 86% da população são agricultores e um salário desse representa pobreza, pobreza, pobreza.

           Em termos práticos, isto significa que durante a estação das chuvas (se não houver uma seca) eles produzem alimentos durante quatro meses, que depois são armazenados em choupanas de barro, na esperança de que durem até a próxima estação de plantio. Apenas três em quatro crianças passam do quinto aniversário.

QUAL É A RAIZ DO PROBLEMA?


           Será que os burquinenses são preguiçosos? Na verdade, na África, eles têm a reputação de serem trabalhadores; outros países gostam de contratá-los por causa de sua natureza trabalhadora.

           Será que não há água suficiente? Acredite se quiser, mas vários países do mundo financiaram a construção de diversas represas por todo o país, o que proporciona uma vasta quantidade de água para a agricultura.

           Há insuficiência de terras para plantio? Há muita terra virgem que pode ser usada para a agricultura. Então, se há terra, água, pessoas trabalhadoras que desejam produzir, qual é o problema?

           Resume-se em uma única palavra: Conhecimento. Há uma enorme falta de know-how agrícola ainda nos níveis mais básicos. Nós pedimos a Shlomo que nos desse um exemplo do que ocorre ali e veja o que ele nos disse.

           Hoje, com pouquíssimas exceções, Burkina Fasso tem dois métodos de irrigação. O primeiro é com baldes; e o segundo, é “inundar” as regiões logo abaixo das represas, usando a própria gravidade que faz a água escoar. Os que vivem próximo a elas conseguem “irrigar” suas plantações, mas este método devasta a terra que, com o passar do tempo, destrói literalmente sua capacidade de produção.

           O tipo de solo é predominantemente argiloso e tem uma taxa de absorção muito baixa. Assim, quando o solo é inundado e aplicam-se os fertilizantes, a maior parte da água evapora e deixa quase todo o fertilizante espalhado pelo solo na forma de sal (o calor é extremo quase o ano inteiro, por volta dos 38º-40ºC, podendo até mesmo chegar aos 44ºC). Isto faz com que o solo fique cada vez mais impróprio para o cultivo e sua produtividade diminui a cada ano que passa.

           À medida que a terra vai ficando menos fértil, os agricultores, sem saber o porquê, tentam, quando possível, aumentar suas áreas de plantio para compensar a perda das áreas que já começam a diminuir a produtividade, só que eles continuam usando os mesmos métodos. E, é claro que acabam simplesmente formando mais solos salinizados. Mas, o que eles podem fazer? Até agora eles não conheciam outra forma de irrigar suas plantações.

           Shlomo nos explicou que os agricultores burquinenses (e de outros países vizinhos de fala francesa) não sabem:

- Qual a quantidade de água a usar para cada tipo de plantação
- Que fertilizante usar para cada tipo de cultivo
- Quando aplicar esses fertilizantes
- Como identificar pragas ou insetos
- Como preparar o solo de acordo com as especificações para cada tipo de cultura. Eles não possuem nenhum tipo de conhecimento dos métodos modernos de irrigação – incluindo as técnicas mais básicas.

           Mas, será que o governo não tenta ajudar os agricultores? A resposta é: sim, à medida do possível! Mas muitos especialistas nos disseram que em todos os países em desenvolvimento, quando o governo tenta desenvolver determinado projeto, tudo cessa e volta à estaca zero assim que os profissionais da área – que foram trazidos para ajudar na implantação – voltam aos seus países de origem. As pessoas pagas pelo governo para trabalhar na terra, sejam eles supervisores locais ou os próprios agricultores, não possuem recursos para extrair o máximo da terra; eles recebem o mesmo salário independente da produção. E as agências governamentais possuem enormes bolsos que abocanham os recursos financeiros destinados a boas causas.

MAS HÁ UMA SOLUÇÃO!


           Há uma forma de transformar a agricultura em Burkina Fasso! Tão óbvia, mas, ao mesmo tempo, oculta do mundo. De acordo com os pastores burquinenses, o número de evangélicos já atinge 10% da população – cerca de 1.300.000 cristãos. A revista americana Charisma, de janeiro de 2005, observou que este país tem uma das mais rápidas taxas de crescimento mundial em número de igrejas evangélicas.
           A ética e o caráter dos cristãos convertidos como um todo está num nível completamente diferente daqueles que não têm um relacionamento com o Deus da Bíblia. E é para esses agricultores evangélicos que Ram Zango e Shlomo Sasson estão montando uma fazenda modelo para treinamento agrícola, próximo à capital Uagadugu.

           Nessa fazenda, agricultores evangélicos selecionados receberão treinamento por um ano como parte de um programa que visa colheitas maiores de produtos com maior qualidade. Lá eles aprendem a:

- Plantar e transplantar mudas
- Fertilizar o solo adequadamente
- Tratar as plantas atingidas por pragas e insetos
- Saber quando e que tipo de semente plantar
- Acondicionar e comercializar a produção
- Incorporar técnicas modernas de cultivo
- Usar técnicas de irrigação, e muito mais

           O tempo de estudo e trabalho no Centro de Treinamento Agrícola compreenderá dois ciclos de ‘plantio e colheita’ quando, então, os agricultores estarão aptos a cultivar suas próprias terras, utilizando seus novos conhecimentos. Uma pessoa, que trabalhará sob a supervisão de Shlomo, supervisionará os agricultores por cinco anos. Depois disto, eles caminharão sozinhos e poderão produzir até cinco vezes mais (dependendo do tipo da plantação) do que colhiam quando não tinham o know-how. E as safras terão uma qualidade ainda nunca vista em Burkina Fasso!

           Para que os agricultores tenham condições de usar a nova tecnologia, eles receberão um empréstimo, livre de juros, para a compra de equipamentos de irrigação e ferramentas de trabalho; o empréstimo será pago em cinco anos, 20% por ano, e o Centro de Treinamento se responsabilizará em colocar a mercadoria no mercado e deduzirá dos lucros as parcelas do empréstimo.

           Como os agricultores geralmente possuem apenas um alqueire ou dois de terras, o custo dos equipamentos não será muito difícil de cobrir quando organizações virem o que eles poderão produzir. Shlomo estima que para cada alqueire cultivado, um agricultor poderá obter US$ 4.000,00 ao ano, ao invés de apenas US$ 345,00. Isto é revolução!

           Algumas organizações seculares já mostraram interesse em financiar esse programa, mas é preciso que façamos nosso primeiro plantio e colheita para que possam ver a viabilidade de se investir nele.

           Mas, mesmo na grande pobreza atual de Burkina Fasso, Ram Zango crê que as bênçãos do Senhor já se manifestam ali. Diferentemente de todo o continente africano, não há guerras em Burkina Fasso! Embora metade da população burquinense seja muçulmana, ela não é do tipo agressivo e não há perseguição aos cristãos.

           Os 30% considerados pagãos estão sendo alcançados pelas mensagens de salvação e muitos milagres. Muitos burquinenses católicos têm sido tocados pelas mensagens de Reinhardt Bonke e passam a compreender melhor a salvação bíblica. Autoridades no governo são bondosas e o presidente do país é católico. Todos eles apóiam Ram Zango e a Iniciativa África Ocidental.

           O governo doou a terra para o programa e prometeu doar futuramente quanto mais se fizer necessário em todo o país. O IAO recebeu autorização para importar, sem impostos, todo o maquinário necessário.

           Deus preparou este pequeno país, dentre os mais pobres do mundo, para ser uma luz. Ao treinarmos os agricultores cristãos com técnicas desenvolvidas em Israel, podemos enxergar uma revolução econômica naquele país – e serão os cristãos que abrirão o caminho!

           E Shlomo exclama de forma apaixonada: “Imagine se conseguirmos montar 10 centros de treinamento por todo o país! A economia nacional será grandemente impactada! Será o suficiente para quebrar a coluna dorsal da pobreza onipresente ali!”

           Mas, ainda há mais! Na África, há cerca de 18 países de língua francesa. Uma igreja forte, próspera e que fale a mesma língua – um exemplo vivo do que o poder do Deus de Israel pode fazer – terá um vasto campo missionário de muçulmanos e pagãos para alcançar. Um campo missionário que provavelmente teria poucas chances de ser alcançado por pessoas do ocidente por causa da barreira do idioma!

           Quem, a não ser Deus, poderia elaborar um plano assim?

           “Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come. Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Isaias 55.10-11).

RAM ZANGO TEM UM SONHO


           Em 2002, o Ministério Maoz Israel recebeu uma incrível oferta de mais de 4 mil dólares dos cristãos de um país na África Ocidental, chamado Burkina Fasso – o terceiro país mais pobre do mundo, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, de 2005. Esses cristãos enviaram aquela oferta depois que aprenderam com Ram Zango que se abençoassem Israel, Deus havia prometido que seriam abençoados.

           Depois de viajarmos a Burkina Fasso, nós, em conjunto com uma igreja (Gateway Church) em Southlake, no Texas, iniciamos um programa que criaria um Centro de Treinamento Agrícola modelo onde os agricultores cristãos aprenderiam técnicas agrícolas israelenses para cultivar terras desérticas e semi-desérticas.

           Neste ano, os parceiros do Maoz (você), nos possibilitaram enviar mensalmente 5 mil dólares para o projeto, além de comprarmos uma picape que se fazia extremamente necessária. Embora este início de projeto seja pequeno, sua possibilidade de aumentar o padrão de vida dos agricultores é algo revolucionário e já chamou a atenção do primeiro ministro de Burkina Fasso, que disse aos representantes da igreja de Southlake que nos apóia por causa da nossa visão de servir e capacitar o povo de seu país a se tornar auto-suficiente.

           O Centro de Treinamento Agrícola modelo, com seus 45 alqueires, fica em uma área privilegiada (comércio), perto da capital Uagadugu. Nos próximos dois meses ele já estará funcionando a pleno vapor.


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